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o nascimento da saudade

Era uma vez uma formiguinha. Ela vivia trabalhando, como sempre. Carregava uma coisa dali, carregava outra coisa dali. Dizem que formigas conseguem carregar cinquenta vezes o próprio peso. Cinquenta vezes o próprio peso, nas costas? É, na opinião de muitos, um fardo maior que o mundo inteiro. Mas a formiguinha ia carregando. Sorrindo.

Afinal de contas, o inverno estava se aproximando.

Entretanto, enquanto a formiguinha trabalhava sozinha, separada das outras, houve uma conspiração. E a formiguinha foi passada para trás. As outras formigas alugaram seu quarto no formigueiro para um besouro que estava de passagem, avaliando as condições de cada formiga se sustentar. Como nossa heroína estava longe, trabalhando, ela perdeu a avaliação. E a cama.

Trapaceada pelas outras formigas, o inverno chegou.

E a formiga não teve onde dormir. E pouca coisa para comer. Nesse momento, de aflição e desespero, ela ouviu, ao longe, o canto da cigarra. Sim, era aquela mesma da fábula. A cigarra tinha lançado um disco, se tornado famosa e estava gozando uma vida de luxo. Viu a formiga tristonha, num cantinho. Conversou com ela, chamou-a para passar o inverno em sua casa nova. Compôs uma música:

"i felt the coldness of my winter..."

A formiga então percebeu que a cigarra era importante em sua vida. Mesmo não comparecendo todos os dias, mesmo não ajudando a carregar o fardo do mundo, mesmo não estando presente vinte e quatro horas-sete dias, a cigarra estava lá. Alegrando o mundo com sua arte. Com sua música. Com suas letras.

Neste dia, a formiga descobriu o que era a saudade.

"upon us all, a little rain, must fall...
just a little rain..."

Trecho de The Rain Song de Led Zeppelin



Escrito por Henrique Wollny �s 12h21
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michael, eles não ligam pra gente

Falar do Michael Jackson se tornou o maior clichê do meio do ano de 2009, e provavelmente vai render assunto até o final dele. Nem pretendo aqui falar se ele era pedófilo ou homossexual, porque sobre esses pormenores sexuais, tem gente que curte mulher, tem gente que curte homem, tem gente que curte bicho e tem gente que curte árvore.

É cada um na sua, mas com alguma coisa em comum.

Michael, segundo uma piada que ouvi, era um menino, negro e pobre que cresceu e se tornou uma mulher branca e rica. Como toda piada tem um fundo de verdade, Michael seria o que o Raulzito chamava de metamorfose ambulante.

Tudo começou na parte econômica da coisa. Da pobreza de uma cidade pacata em Indiana ao estrelato em meados de 80, Michael com certeza sofreu as mudanças que o dinheiro pode criar na mente de um ser humano. Antes ele não podia.

Com o dinheiro, ele pôde fazer o que quisesse.

Entretanto, a pele chocolate jamais seria aceita no mundo branco. O preconceito de cor de pele ainda é o maior fantasma do mundo moderno e perambula em todos os lares do mundo. Mas duas doenças fizeram o rei do pop romper essas barreiras. Lupus e vitiligo foram o trampolim para a candidez que o mundo exigia de alguém que tinha dinheiro.

Com a pele branca, ele pôde continuar fazendo o que queria.

Entretanto, mudar de cor é algo que balança muito a cabeça de um indivíduo. A auto-estima de Jackson despencou tão rápido quanto o álbum Bad subiu às paradas. Ele queria ser mais belo. Plásticas aqui, bisturis ali, e ele foi, aos poucos, caminhando para o que a estética hoje chama de rosto perfeito. Uma coisa andrógina onde o indivíduo perde sua identidade. Não se sabe se é homem ou mulher. É apenas um rosto bonito.

Com o novo rosto, ele pôde sorrir novamente, ao fazer o que queria.

Entretanto, mudar de rosto é algo que balança muito a cabeça de um indivíduo, pois o mundo perde aquela referência que ele estabeleceu por anos e anos a fio. O mundo então criticou-o. E rejeitou-o. E acusou-o. Ele então, acabou por morrer.

Com o novo status quo, ele pôde continuar fazendo o que queria.

Michael Jackson nada mais foi do que um sujeito que perdeu todas as identidades que teve e quis ter. Descrente consigo mesmo, ele disse, certa vez, a um biógrafo:

"why not just tell people I'm an alien from Mars. tell them I eat live chickens and do a voodoo dance at midnight. they'll believe anything you say, because you're a reporter. but if I, Michael Jackson, were to say, 'I'm an alien from Mars and I eat live chickens and do a voodoo dance at midnight,' people would say, 'Oh, man, that Michael Jackson is nuts. He's cracked up. You can't believe a damn word that comes out of his mouth.'."

"porque não dizer às pessoas que sou um marciano. diga a elas que como galinhas vivas e faço uma dança vodu à meia-noite. eles acreditarão em tudo que você disser, porque você é um repórter. mas se eu, Michael Jackson, falasse, 'sou um marciano e como galinhas vivas e faço uma dança vodu à meia-noite,' as pessoas diriam, 'putz, cara, esse Michael Jackson não bate bem. ele tá doidão. não dá para acreditar numa porcaria de uma palavra que sai de sua boca.'."

Troca de realidade, troca de pele, troca de rosto, troca de estado. Tudo o que ele queria era fazer música.

Talvez, agora que está morto, ele consiga.



Escrito por Henrique Wollny �s 14h38
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de vanguarda II

Vejam isto:



Pense você vivendo ali na semana de arte moderna. Jovem. Cheio de idéias na cabeça. E um mundo inteiro para peitar e afrontar. Só que você não quer o combate direto. O combate direto machuca, exige demais do indivíduo e ninguém é super-homem.

Todos somos bebês chorões.

E é isso que o pessoal ali da semana de arte moderna dizia, em alto e bom tom. Somos é isso aí mesmo. Por favor, deixe-nos realizar nossas mudanças em paz. Sempre, "hoje o novo pode ser diferenciado precisamente do velho" e é por isto que afirmamos: "é o velho".

Quando você acha que tá indo na contramão, você tá é pegando carona na prancha de quem tá na crista da onda.

Ou vai me dizer que os renascentistas não eram o novo daqueles tempos? O Renascimento não é ignorância. Ele é contra a ignorância.

Também.

"He's the one,
who likes
all our pretty songs
and he
likes to sing along
and he
likes to shoot his gun
but he
knows not what it means..."

Trecho de In Bloom de Nirvana



Escrito por Henrique Wollny �s 15h03
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fazendo por merecer

Olá, queridos leitores. Mês passado escrevi aqueles dois pequenos dicionários de coisas que cada um, dividindo o mundo por gêneros, quer dizer, de verdade, ao falar determinadas coisas. As entrelinhas são a grande mágica da comunicação e o que é falado, propriamente dito, não representa, na maioria das vezes, o que é falado.

A linguagem é nosso simulacro da realidade.

Cito os dois textos ("o que eles querem dizer?" e "o que elas querem dizer") porque vi na televisão, recentemente, uma propaganda que sintetizou, com louvor, as entrelinhas daqueles dois textos. Sem delongas, eis a propaganda do Fusion, carro lançado pela Ford em 2009:



O comercial, para quem tem preguiça de assistir ou para quem sente raiva quando o YouTube não coopera, é basicamente ambientado num almoço de negócios, onde uma executiva pergunta para um executivo: "como você se imagina daqui a cinco anos?". Ele imagina-se andando no novo Fusion com a executiva do lado, ao som de AC~DC.

O homem, coitado, só pensa em transar, óbvio.

Daqui cinco anos queria estar pegando uma gostosa. Dúvidas? Basta reler o texto o que eles querem dizer?. Quando o devaneio acaba, ele rebate a mesma pergunta para a executiva: "e você?". Ela imagina-se andando no banco de trás do novo Fusion com o rapaz dirigindo para ela, lendo um jornal e ao som de AC~DC.

A mulher, castrada, só pensa em poder, óbvio.


Daqui cinco anos eu queria ter um belo homem submisso a mim. Dúvidas? Basta reler o texto o que elas querem dizer. O devaneio acaba e o slogan "quem dirige o novo Fusion, fez por merecer".

Você, leitor sagaz, poderia dizer que a mulher poderia ser trocada por qualquer criatura que represente uma minoria silenciada ou subjugada (minoria é o caralho, porque tem mais mulher no Brasil que homem. tem mais negros e tem homossexual fazendo passeata com dois milhões e meio de pessoas em tudo quanto é capital por aí). Sim, poderia. Mas o autor do comercial escolheu um homem e uma mulher. Portanto, ao invés de ficar especulando, vamos nos ater aos fatos (porque se minha avó tivesse um bigode, eu teria três avôs).

As feministas de plantão dirão: "esse comercial rompe paradigmas!". Bobagem. Quem for observador atencioso da realidade humana, já sacou que as mulheres querem mandar e os homens querem transar. Os machistas por conveniência ficarão ultrajados. Os machistas espertos dirão: "ela tá dando pro chofer". Os comunistas ficarão enojados. Os capitalistas ficarão com os olhos brilhando.

Mil possibilidades de interpretação. Fico com uma. O comercial do Fusion, para mim, veio para fundir os dois textos que escrevi e aqui cito. Como uma luva. Como um eco inteligente. Como um desdobramento natural. Como água para chocolate.

Ao som de AC~DC, claro.

 



Escrito por Henrique Wollny �s 15h27
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uma singela homenagem

Anteontem morreu meu cachorro. Tá. Não era meu. Era da minha irmã. Mas vivia enfurnado debaixo das pernas de minha mãe. Eu não gostava muito dela. Era ela. Uma cadela. Dourada. Vira-lata. Feia. E ela não gostava muito de mim. Eu, para ela, era apenas um ser humano esquisito e chato.

Eu implicava com ela e ela implicava comigo.

Mas aí, ela envelheceu. E eu parei de implicar. E ela parou de rosnar. Ficávamos assim. Respeitando o espaço um do outro. Como cães em uma matilha. E o tempo passou, e eu ainda continuava detestando ela. E assim foi, até o dia em que ela começou a padecer.

Câncer. Sempre aí, para avacalhar a vida alheia.

E os olhos ficaram cegos. E as orelhas ficaram surdas. E a boca ficou sem dente. O latido? Quase não havia mais. O corpo foi crescendo, contaminado por células contaminantes e, em uma bela madrugada, a respiração começou a ficar lenta, aflitiva e pesada.

E o câncer a tomou, como era de se esperar.

Faço aqui, uma singela homenagem a esse bicho que eu detestava. Podem falar que é loucura, podem apontar a incoerência. Podem falar o que quiserem falar. Homenageio-a assim mesmo. Os mais inquisitivos vão perguntar: "porque você está homenageando um cachorro que você detestava?". E eu direi:

O verbo detestar precisa de objeto direto.

E anteontem esse objeto direto cessou existência.

Vai e fica com Deus, se é que ele existe para os cães, Tula.



Escrito por Henrique Wollny �s 19h48
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miopia, um mal necessário

Sou míope. Não tenho vergonha de assumir ou admitir isso. A miopia é tipo um filtro de Photoshop que faz a gente ver borrado tudo aquilo que está longe. E sabe o que é pior? O que está perto acaba ficando borrado no meio do caminho, pois sem a noção de profundidade, tudo ganha uma profundeza impressionante.

Portanto, se um míope disse que você era provido de beleza, ignore.

Mas não ignore tanto assim. O míope é psicótico por natureza (ou por aquisição, né?). Ele vê a realidade distorcida. Ele vê tudo como um grande borrão bonito e de cores vivazes. As folhas não tem contornos. As copas das árvores parecem um grande algodão doce verde. As nuvens no céu tem aspecto aquarelado. Manchas na parede são sombras. Sombras são manchas na parede. Na praia, não existem grãos. Apenas um tapete imenso de areia. A água não passa de um degradê do céu.

A realidade, para o míope, é como o míope a vê. É do jeito que ele quer.

Entretanto, se a copa das árvores vira algodão doce, se as nuvens viram aquarelas, se sombras fundem com paredes, se praias são imensos carpetes esbranquiçados e se mares são extensões de um céu azul, lindo e maravilhoso...

Então, se um míope disser que você é provido de beleza, dê ouvidos.


Porque os olhos carregam esse mistério, sabe? Eles são a janela pela qual o mundo se mostra pra gente. Olhos nos são o canal da alegria. Olhos nos são o canal da felicidade. Olhos nos dão elementos para a imaginação. Eles também nos dão aquelas coisas ruins, tristes e que fazem parte do mundo.

Mas o olhar míope transforma tudo em beleza.

Olhos verdes são sinceros. Olhos azuis são efusivos. Olhos pretos são austeros. Olhos mel são covardes. Olhos cinzas são extravagantes. Fico com os castanhos. Sua proposta é sempre procurar elementos inovadores. São curiosos por natureza. Só fazem pular de um lado pro outro, buscando a beleza que o mundo tem a oferecer.

Sempre. Em qualquer lugar. Sem chorar.

Para vocês que são míopes (e só vocês verão a beleza desse lugar), fica um convite:

Bora pra Bora Bora?

 



Escrito por Henrique Wollny �s 21h38
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doces cafetinas

Dizem os antigos sacerdotes de Ilhéus que todo homem deveria conhecer, em vida, doze tipos de mulheres. Uma para cada signo. Cada uma representando um alimento ou bebida feita de café. O folclore é vastíssimo na Bahia e o oráculo de Ilhéus é pouco conhecido aqui no Sudeste. E através da literatura (ciência da ficção), podemos propagar todo esse conhecimento que corre o risco de perder-se por aí.

Afinal de contas, memória e imaginação são tão diferentes que se tornam praticamente iguais.

Conhecer uma ariana seria como provar um Mousse de Café. O sabor fica todo concentrado ali. Ela é cremosa, concentrada. Precisa ser absorvida com colheradas rápidas. Uma leonina é um Licor de Café. Alcoólico o suficiente para ser dramática e doce o suficiente para querermos provar novamente. A sagitariana seria um Geladinho de Café. Não se engane com o nome, o café aqui é forte e o teor alcoólico é altíssimo.

Essas nos marcam a ferro e fogo.

Relacionar-se com uma taurina é saber apreciar a praticidade de um Expresso Duplo. Rápida, fácil e extremamente prazeirosa. Vale a pena repetir a dose quantas vezes achar necessário. A virginiana é um Café de Vó coado no coador de nossas avós. Todo o requinte e sabor que possuem o peso e valem uma vida inteira. As capricornianas são Capuccinos com Chantily. Inicialmente parecem organizadas, mas quando o doce mistura-se ao café é que a coisa fica boa.

Essas nos dão segurança.

Beijar uma geminiana é como morder uma Trufa de Café. A gente espera uma coisa e de repente é outra. Arrisque a sorte, é 50% de chance da segunda coisa ser melhor que a primeira. Dar as mãos a libriana é como tomar uma Mocca. É experimentar o equilíbrio a cada instante. E gostar disso. A aquariana não passa de um Scottish Coffee. Prove e veja o mundo da melhor forma possível, uma vez que a fumaça (e a bebida) quente subir para a cabeça.

Essas nos fazem voar.

Conviver com uma canceriana é como comer um Bolo de Café com Passas. É bom, mas tem passas. Vale a pena, se você conseguir engolir a parte ruim sem fazer careta. Uma escorpiana é como um Pudim de Café com Nozes. Existe um buraco no meio, mas cada noz ali compensa. Cuidado para não engasgar com as nozes, entretanto. Já as piscianas, são o Amor-Perfeito. A quantidade ótima de café. A quantidade certa de açúcar. A quantidade ideal de chocolate. Pura glicose, pura alegria. Vale a pena se fartar desse sonho líquido.

Essas nos fazem flutuar.

Olhem aí, leitores. Escolham a sua cafetina (trocadilho infame!) favorita. Mulherada, não se acanhe. O oráculo de Ilhéus também deixa vocês escolherem seus cafetões (ó ele aí de novo, ó!). Eu digo que a minha favorita é a de Peixes.

É o melhor amor, quando o amor tem gosto de café.



Escrito por Henrique Wollny �s 23h00
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o que elas querem dizer

Naquele mesmo texto de pouco mais de cinco anos atrás, no clímax dos parágrafos, eu atingia a seguinte conclusão, no que diz respeito à falta de choro masculino no mundo: "mulher não, pode sentir, pode chorar, pode se descabelar o quanto quiser, elas são consideradas mais frágeis mesmo. o homem tem que fingir ser forte, o tempo todo, mesmo que muitas vezes esteja desesperado por dentro".

Novamente digo: Diferenças sexuais estão aí para ficar.

Paralelo ao Pequeno Dicionário das Coisas que os Homens Falam, eu elaborei, também, uma coletânea de coisas que as mulheres falam e entrego-a aqui, no Nó.

Pequeno Dicionário das Coisas que as Mulheres Falam

Sim = Não.
Não = Sim.
Talvez = Não.
Sinto muito = Vai ser como eu quero.
Nós queremos = EU quero.
É você que manda = Você vai pagar por isso.
Faça como quiser = Você vai pagar muito caro por isso.
Precisamos conversar = Quero me queixar de você.
Vá em frente = Não quero que você vá.
Não estou chateada = Lógico que eu estou chateada.
Você é tão másculo = Você está suando e precisa fazer a barba.
Você está muito atencioso esta noite = Você só pensa em sexo?
Seja romântico, apague as luzes = Estou me sentindo gorda.
Esta cozinha é desajeitada = Quero uma casa nova.
Quero cortinas novas = ... e carpete, e móveis, e máquina de lavar...
Pregue o quadro ali = NÃO, pregue-o aqui.
Ouvi um barulho = Você está quase dormindo.
Você me ama? = Vou te pedir algo que será difícil você me dar.
Quanto que você me ama? = Eu fiz algo de que você não vai gostar.
Estou pronta em um minuto = Tire os sapatos e escolha um canal de TV.
Estou gorda? = Me diga que estou bonita.
Você precisa aprender a se comunicar = Apenas concorde comigo.
Era o bebê? = Por que você não levanta e faz ele dormir?
Não estou gritando! = Sim, estou gritando porque é importante.
A mesma história de sempre = Nada.
Nada = Tudo.
Tudo = Minha TPM está à toda.
Nada, mesmo = Você é uma besta!



Escrito por Henrique Wollny �s 13h01
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o que eles querem dizer?

Lembro-me de minhas primeiras aventuras como escritor. Era um texto que enviei para o blog (hoje extinto) Get Closer. O projeto do blog era o feminismo na sua melhor proposta. Nada de Girl Power ou "temos um impulso de morte de nos tornarmos travestis". Eram textos que respeitavam a ideologia feminista e cutucavam as gravíssimas contradições do machismo.

Lembrei-me da exata frase que eu utilizei para começar aquele texto: "muitas mulheres vivem dizendo que ser homem é melhor que ser mulher e, ao mesmo tempo, muitos homens dizem que é melhor ser mulher". Basta observar a realidade e apontar o óbvio. Ninguém nunca está satisfeito. Pra mim, a grande verdade é outra.

Diferenças sexuais estão aí para ficar.

Pensando nisso, reuni aqui uma espécie de tradutor universal das coisas que nós, homens, falamos. Sinto muito, rapaziada, mas vou entregar o segredo da raça. Meu objetivo não é minimizar as diferenças, é apenas denotá-las. As diferenças existirão sempre. O que pode mudar é a forma como lidamos com elas. Sem mais delongas...

Pequeno Dicionário de Coisas que os Homens Falam

Estou com fome = Estou com fome.
Estou com sono = Estou com sono.
Estou cansado = Estou cansado.
Quer ir ao cinema? = Gostaria de transar?
Posso te levar para jantar? = Gostaria de transar?
Posso te ligar? = Gostaria de transar?
Me concede esta dança? = Gostaria de transar?
Bonito vestido! = Que decote! Gostaria de transar?
Você parece tensa, deixe-me fazer uma massagem = Gostaria de transar?
O que há de errado? = Não sei por que você está dando tanta importância a isso.
O que há de errado? = Que trauma psicológico auto-infligido e sem sentido você está querendo me empurrar?
O que há de errado? = Estou vendo que hoje sexo, nem pensar.
Estou chateado = Quer transar?
Eu te amo = Quero transar agora.
Eu também te amo = Tá bom, eu já sei disso. Agora... vamos transar?
Sim, gostei do seu cabelo = Gostava mais do jeito que estava.
Seu cabelo ficou bem = 50 paus pra ficar como estava!
Vamos conversar = Estou querendo te mostrar como sou uma pessoa profunda e talvez você queira transar comigo.
Quer casar comigo? = Não quero que você transe com outros.
Gostei mais desse = Pegue qualquer vestido e vamos embora logo.



Escrito por Henrique Wollny �s 12h10
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capitalismo selvagem - parte 2

 

"Dinheiro pode ajudá-lo a comprar remédios, mas não saúde. Dinheiro pode ajudá-lo a ter travesseiros macios, mas não uma bela noite de sono. Dinheiro pode ajudá-lo a ter confortos materiais, mas não alegria eterna. Dinheiro pode ajudá-lo a ter ornamentos, mas não beleza. Dinheiro o ajudará a ter um aparelho auditivo, mas não um ouvido natural. Obtenha a riqueza suprema, sabedoria, e você terá tudo"

Benjamin Franklin.

Não que Franklin Ben-Bem tivesse vocação pra Dalai Lama, mas de filosofia ele manjava muito. Será esse trecho do pensamento iluminista ocidental um corolário a ser seguido? Não sei. Poderíamos especular. Mas isso geraria polêmica, e polêmicas não levam a lugar algum.

Este texto também não se presta a pintar um jovem burguês e seus ideais e saraivá-lo de pedras. Não. o objetivo aqui também não é esse. Entretanto, os itens que as moedinhas cunhadas em níquel, prata ou ouro e os papeizinhos que possuem valor de troca podem comprar, particularmente, nos interessam hoje.

Pensadores norte-americanos tendem a ser subversivos.

As palavras de Fraklin Ben-Bem fazem muito sentido. E elas estão, de um jeito ou de outro, arraigadíssimas em nossas mentes. O grande ideal iluminista era colocar a razão como a protagonista da vida de qualquer indivíduo. E através dela, tudo o que pudesse ser realizado, o seria.

As tirinhas revelam isso. Entretanto, para fazermos a ponte, precisamos entender o ponto principal de Franklin. Quando digo que os pensadores americanos tendem a ser subversivos, quero dizer que eles partem de um ponto e o negam completamente. Isso, muitas vezes, faz com que a gente perca o grande lance. Franklin nos indica que a sabedoria é o caminho para possuir tudo.

Porra nenhuma!

O caminho para possuir tudo é o dinheiro. Como Marx disse semana passada, a Economia está na base de todas as relações sociais. Ora. A Economia é regida pelo critério de que cada coisa possui um valor. O Dinheiro é a forma contemporânea de atribuir valor a qualquer coisa.

O monitor, o teclado, o mouse, o computador, a cadeira, a mesa. A calça, a saia, a blusa, a camiseta, o óculos, o cinto, as meias, o sapato. O piso do chão, a tinta da parede, a luminária do teto, a cama, o colchão, o guarda-roupas. O vidro da janela, o metal das grades, o azulejo da fachada. O cimento da calçada, as pedras do meio-fio, o asfalto da rua. Olhe ao seu redor. O que não possuir um valor monetário não existe.

Tudo possui um valor.

Até mesmo as coisas vivas. Seu cachorro? Vale X. Seu irmão? Vale Y. Sua mãe? Já vi gente vendendo. Sua avó? Aceitam por aí como troco. Suas plantinhas? Vendem aos montes na feira. E coisas abstratas também possuem valor. O amor, a felicidade, a tristeza, o ódio. A esperança, a raiva, a criatividade, a frustração. Quanto vale teu sorriso? Quanto vale cada lágrima? Seus princípios? Sua ética. Sua moral. Você supervaloriza seus valores avalorados.

Não adianta. Não tem como fugir.

Sem dinheiro, e aí retorno às tirinhas, não dá para fazer um agrado aos outros. Não tem como casar e ter filhos. Não tem como habitar ou decorar. Não tem como pagar o implante de silicone, muito menos a plástica. E sem dinheiro, não dá para comer ou sequer ir para lugar algum.

Aí, você, leitor, desanimado com a vida, provavelmente pensará: "ah... que bosta...". Não. Corta essa! Ao invés de abaixar a cabeça e se considerar um imprestável que não vale nada, comece a estabelecer seus sonhos, suas metas. E comece a juntar dinheiro para atingí-las. Todos sabem que o trabalho é um mal necessário. E, catolicamente falando, por pior que seja trabalhar, ninguém vai pro inferno por causa disso. Então, é que nem óleo de rícino: Ruim pra dedéu, mas mata verme que é uma beleza!

Em todo Éden, existe erva daninha. Em toda maçã, existe bicho.

E você precisa de dinheiro para comprar ferramentas para manter seu jardim e remédios para ver crescer seus frutos. Sem essa de vil metal.

Dinheiro é matéria-prima da matéria-prâna.

 



Escrito por Henrique Wollny �s 17h15
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