Salve, salve, caro internauta! Hoje, dia 13 de Julho, é considerado o Dia Mundial do Rock. Como toda data comemorativa, é apenas mais uma convenção. Na verdade, o dia marca o vigésimo quarto ano de aniversário da realização do Band Aid (um festival realizado em 1985, com os "maiores nomes" da música, para chamar a atenção para a pobreza da África). Rock mesmo tem mais de cinquenta anos.
Quando vovó ainda era jovem.
E aí, na onda, circulam infinitas enquetes na rede perguntando qual é a melhor música de rock de todos os tempos. Perguntinha difícil essa... Nem me atrevo a começar a especular quais seriam as cem melhores, quem dirá a melhor de todas. Só sei aquele bom e velho clichê: o Diabo é o pai do Rock.
Michael J. Fox foi o criador do Rock (veja cenas aqui).
E como ficar falando de música é uma coisa pouco elucidativa, coloco aqui para vocês alguns shows do tipo must-see (e must-have, porque não?):
Led Zeppelin - The Song Remains The Same
Beatles - Rooftop Concert
e Pink Floyd - P.U.L.S.E
Procure nos "Vídeos Relacionados" a continuação de cada um. Espero ter elucidado algo sobre Rock, neste dia que merece um brinde.
Era uma vez uma formiguinha. Ela vivia trabalhando, como sempre. Carregava uma coisa dali, carregava outra coisa dali. Dizem que formigas conseguem carregar cinquenta vezes o próprio peso. Cinquenta vezes o próprio peso, nas costas? É, na opinião de muitos, um fardo maior que o mundo inteiro. Mas a formiguinha ia carregando. Sorrindo.
Afinal de contas, o inverno estava se aproximando.
Entretanto, enquanto a formiguinha trabalhava sozinha, separada das outras, houve uma conspiração. E a formiguinha foi passada para trás. As outras formigas alugaram seu quarto no formigueiro para um besouro que estava de passagem, avaliando as condições de cada formiga se sustentar. Como nossa heroína estava longe, trabalhando, ela perdeu a avaliação. E a cama.
Trapaceada pelas outras formigas, o inverno chegou.
E a formiga não teve onde dormir. E pouca coisa para comer. Nesse momento, de aflição e desespero, ela ouviu, ao longe, o canto da cigarra. Sim, era aquela mesma da fábula. A cigarra tinha lançado um disco, se tornado famosa e estava gozando uma vida de luxo. Viu a formiga tristonha, num cantinho. Conversou com ela, chamou-a para passar o inverno em sua casa nova. Compôs uma música:
"i felt the coldness of my winter..."
A formiga então percebeu que a cigarra era importante em sua vida. Mesmo não comparecendo todos os dias, mesmo não ajudando a carregar o fardo do mundo, mesmo não estando presente vinte e quatro horas-sete dias, a cigarra estava lá. Alegrando o mundo com sua arte. Com sua música. Com suas letras.
Neste dia, a formiga descobriu o que era a saudade.
"upon us all, a little rain, must fall... just a little rain..." Trecho de The Rain Song de Led Zeppelin
Falar do Michael Jackson se tornou o maior clichê do meio do ano de 2009, e provavelmente vai render assunto até o final dele. Nem pretendo aqui falar se ele era pedófilo ou homossexual, porque sobre esses pormenores sexuais, tem gente que curte mulher, tem gente que curte homem, tem gente que curte bicho e tem gente que curte árvore.
É cada um na sua, mas com alguma coisa em comum.
Michael, segundo uma piada que ouvi, era um menino, negro e pobre que cresceu e se tornou uma mulher branca e rica. Como toda piada tem um fundo de verdade, Michael seria o que o Raulzito chamava de metamorfose ambulante.
Tudo começou na parte econômica da coisa. Da pobreza de uma cidade pacata em Indiana ao estrelato em meados de 80, Michael com certeza sofreu as mudanças que o dinheiro pode criar na mente de um ser humano. Antes ele não podia.
Com o dinheiro, ele pôde fazer o que quisesse.
Entretanto, a pele chocolate jamais seria aceita no mundo branco. O preconceito de cor de pele ainda é o maior fantasma do mundo moderno e perambula em todos os lares do mundo. Mas duas doenças fizeram o rei do pop romper essas barreiras. Lupus e vitiligo foram o trampolim para a candidez que o mundo exigia de alguém que tinha dinheiro.
Com a pele branca, ele pôde continuar fazendo o que queria.
Entretanto, mudar de cor é algo que balança muito a cabeça de um indivíduo. A auto-estima de Jackson despencou tão rápido quanto o álbum Bad subiu às paradas. Ele queria ser mais belo. Plásticas aqui, bisturis ali, e ele foi, aos poucos, caminhando para o que a estética hoje chama de rosto perfeito. Uma coisa andrógina onde o indivíduo perde sua identidade. Não se sabe se é homem ou mulher. É apenas um rosto bonito.
Com o novo rosto, ele pôde sorrir novamente, ao fazer o que queria.
Entretanto, mudar de rosto é algo que balança muito a cabeça de um indivíduo, pois o mundo perde aquela referência que ele estabeleceu por anos e anos a fio. O mundo então criticou-o. E rejeitou-o. E acusou-o. Ele então, acabou por morrer.
Com o novo status quo, ele pôde continuar fazendo o que queria.
Michael Jackson nada mais foi do que um sujeito que perdeu todas as identidades que teve e quis ter. Descrente consigo mesmo, ele disse, certa vez, a um biógrafo:
"why not just tell people I'm an alien from Mars. tell them I eat live chickens and do a voodoo dance at midnight. they'll believe anything you say, because you're a reporter. but if I, Michael Jackson, were to say, 'I'm an alien from Mars and I eat live chickens and do a voodoo dance at midnight,' people would say, 'Oh, man, that Michael Jackson is nuts. He's cracked up. You can't believe a damn word that comes out of his mouth.'."
"porque não dizer às pessoas que sou um marciano. diga a elas que como galinhas vivas e faço uma dança vodu à meia-noite. eles acreditarão em tudo que você disser, porque você é um repórter. mas se eu, Michael Jackson, falasse, 'sou um marciano e como galinhas vivas e faço uma dança vodu à meia-noite,' as pessoas diriam, 'putz, cara, esse Michael Jackson não bate bem. ele tá doidão. não dá para acreditar numa porcaria de uma palavra que sai de sua boca.'."
Troca de realidade, troca de pele, troca de rosto, troca de estado. Tudo o que ele queria era fazer música. Talvez, agora que está morto, ele consiga.
Pense você vivendo ali na semana de arte moderna. Jovem. Cheio de idéias na cabeça. E um mundo inteiro para peitar e afrontar. Só que você não quer o combate direto. O combate direto machuca, exige demais do indivíduo e ninguém é super-homem.
Todos somos bebês chorões.
E é isso que o pessoal ali da semana de arte moderna dizia, em alto e bom tom. Somos é isso aí mesmo. Por favor, deixe-nos realizar nossas mudanças em paz. Sempre, "hoje o novo pode ser diferenciado precisamente do velho" e é por isto que afirmamos: "é o velho".
Quando você acha que tá indo na contramão, você tá é pegando carona na prancha de quem tá na crista da onda.
Ou vai me dizer que os renascentistas não eram o novo daqueles tempos? O Renascimento não é ignorância. Ele é contra a ignorância.
Também.
"He's the one, who likes all our pretty songs and he likes to sing along and he likes to shoot his gun but he knows not what it means..." Trecho de In Bloom de Nirvana