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ruim com eles, pior sem eles

Ontem, logo após o almoço, fui tomar uma cervejinha bem gelada para refrescar as idéias. O calor misteriosamente está nas alturas nesta primavera e Chico Science tinha razão: uma antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor. Nas dadas circunstâncias, uma depois do almoço é muito bom também, digo eu.

Almocei com a senhora minha mãe. Como ela não curte bebericar drinques alcoólicos, ela resolveu ir do restaurante para casa. Daí uns vinte minutos, ela retorna reclamando que foi assaltada. Um sujeito numa moto esperava o comparsa roubá-la. Quando o assaltante corria, seu parceiro dava a volta no quarteirão para pegá-lo na garupa. Engenhoso demais.

Entretanto, minha mãe perdeu talão de cheques, moedinhas, recibos e os documentos. Resolveu, após acalmar-se, chamar a polícia para fazer um boletim de ocorrência. Vinte minutos depois (tempo suficiente para os assaltantes chegarem do outro lado de Copacabana), uma viatura policial chega até a rua de nossa casa.

Super educado, o policial cumprimenta, bate um papo, dá algumas instruções, explica como o boletim de ocorrência funciona e, lá pelas tantas, ele diz, sem saber o que está falando:

"chegou a notícia pra gente na viatura agora. então, nós subimos o morro e vamos descendo. daí, o traficante pode acabar entregando o ladrão pra gente, porque ele não quer que os criminosos chamem atenção para o negócio deles. esse costuma ser o cenário mais rápido pra gente botar as mãos no safado e..."

Eu saí de perto. Precisei rir. Traficantes, então, não são criminosos?

Bela polícia temos!



Escrito por Henrique Wollny �s 15h30
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o filho da puta ali no canto

Dia vai, dia vem, e a todo momento meus olhos percorrem a realidade e trombam com mil elementos que meu cérebro descarta ou absorve. Lemos o tempo inteiro. É inevitável. Fazemos julgamentos também. Dos elementos que meu cérebro absorve, alguns ele condena, outros ele absolve.

Faz parte da vida.

As coisas que mais gosto de colidir meus olhos são frases otimistas. Ler um pensamento positivo é sempre bom, pois eles, assim como a arte, nos movem.  Adoro citações do dia, sortes de hoje, frases de biscoitos, conselhos de horóscopo, reflexões diárias e tudo mais que caia na categoria de pequenos fragmentos de texto dessa laia.

Pensar positivo é uma dádiva.

Mas, depois de Nietszche, não dá pra ser tudo arco-íris nessa vida, né? Logo, relativizo sempre essas frases positivas que leio por aí. Você ganhará roupas novas? Claro. Se eu me der, sim. O amor está na esquina? Puta merda. Será que aquele mendigo voltou? A natureza é a mãe de todas as artes? Ah! Se ela fosse tão valiosa quanto a Monalisa, não estaria sendo estuprada e destruída paulatinamente pelos próprios filhos. Relativizar sempre destrói a beleza das coisas.

Pensar negativo é uma maldição.

Ou embeleza toda coisa feia. Chuva? Temos que viver a chuva para gozar o arco-íris. Calor? Ele evapora a água e em breve temos uma chuva que refresca. Frio? Coberta, filme, pipoca, chocolate quente... Dá sempre para contrargumentar qualquer coisa que seja lida por nossos olhos.

Faz, também, parte da vida.

Então, vamos lendo, porque a vida está aí, bombardeando-nos com essas letrinhas. Tenham uma boa noite e...

Ah, sim. O que tem a ver o título, você, leitor que lê, pergunta. Pois então. Nada me tira da cabeça a frase que me inspirou a escrever este texto: "se todos dermos as mãos, quem sacará as armas?". Não é óbvio? O título diz tudo. Até a próxima!



Escrito por Henrique Wollny �s 19h58
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quem planta, colhe

O mês de setembro corre à toda e a vida cotidiana está cada vez mais repleta de coisas para se fazer. Trabalha para receber, recebe visita, visita família, familiariza-se com ambiente de trabalho e o ciclo segue seguindo. Mal dá tempo para almoçar ou para dormir (o que considero perda de tempo, de qualquer jeito). Seja comendo sonhos, ou sonhando com comida, a vida está corrida. Numa dessas indas e vindas, sonhei que ganhava flores.

Ah! Maldito eufemismo!

Tá, vai. Não eram flores. Era um cacto. Uma linda moça ruiva sem face me dava um cacto. "é para representar nosso amor", dizia ela. Você tinha que ver a expressão no meu rosto. Perplexidade é uma palavra que sintetiza-a muito bem. "um cacto..." pensei eu. "para... representar nosso amor?" perguntei-me eu. E ela ia emendando o raciocínio: "não precisa cuidar com muito zelo, e ele dura a vida toda". Brilhante!

Uma metáfora para o amor.

Cactos servem para ser prédios. Monumentos. Empresas. Corporações. Estados. Governos. Feios, mas funcionais. Uma vez instalados, duram para gerações. Como pode o amor ser representado por um chumaço de seiva clorofilada repleto de espinhos? "mas ele dá uma flor linda!" pode dizer um leitor com vocação para botânico low-budget. Rosas são mais clichê, entretanto cumprem bem a função de amor.

Uma metonímia para o amor.

Se bem que rosas duram pouco tempo. Estão mais para aquela paixão avassaladora. Enquanto houver tesão ou pétalas, há beleza. Depois, a natureza entra em ação e tudo cai e apodrece e vira adubo para novas rosas. Ou paixões. Então, rosas para lá, fiquemos com as árvores. De preferência as que dão frutos.

Conotativamente denotativas.

Um bom solo. Uma grande raíz. Sólido tronco. Inúmeros galhos. Centenas de folhas. E, em alguns momentos da vida, frutos. Vários deles. Nem todos aproveitados, porque a gravidade quer alguns deles. Mas a maioria, se colhidos, pode se tornar uma sequencia de fatias de frutas no café da manhã. Na sobremesa do almoço e na ceia.

Significa muita coisa.

Não sei quem é a bela moça ruiva sem face que me entregou aquele cacto. Mas, poxa vida. Um cacto? Custava ser uma árvore? Não! Tinha que ser um cacto. Portanto, com todo respeito, ou a senhorita troca esse cacto por uma muda de jaboticabeira, de macieira, de pitangueira (aceito até um pé de jaca!)... Ou então vossa formosura pode enfiar o cacto no cu. E passar bem.



Escrito por Henrique Wollny �s 15h07
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o verdadeiro valor das coisas

Eu amo observar o mundo através dessas duas janelinhas que em algum momento da evolução dos bichos eu adquiri, ou que Deus me deu (o que quer que tenha acontecido primeiro), que geral chama, vulgarmente, de olhos.

Observar é bem legal.

E tem coisas que a gente vê, que num primeiro momento não significam nada. E aí, a gente vai somando esse monte de coisa e vai criando uma espécia de banco de dados dentro da nossa cabeça.

O que me dá, de certa forma, um monte de informação valiosa.

Outro dia, eu retirei, de uma situação que me fez cruzar dados do meu banco de dados, uma conclusão inusitada. Inusitada no sentido de enxergar o mundo como ele é. Como ele realmente é. Sem censura.

O que é, de certa forma, uma conclusão valiosa.

Estava eu dentro de um ônibus. Sentei-me perto do agente de bordo. Olhei para a janela que estava atrás dele. Lá havia um aviso: "valor da passagem: R$ 2,30". Esse foi o primeiro dado para minha conclusão inusitada. Era a primeira parte do quebra-cabeça. O ponto de partida. Mas, para montar aquela equação, ainda havia incógnitas. Me faltava armar.

O que me faz, de certa forma, procurar mais informações valiosas.


Noutro dia, entrei num táxi lotação. Táxi lotação, para quem não tem nem idéia do que possa ser, é um serviço aqui em Copacabana que o táxi sobe e desce determinadas avenidas da cidade, e ficam sempre nesse vai-e-vem. Mais conforto e velocidade. Nesse dia, a que me refiro, olhei para a janela do banco de trás, aquela que fica do lado do motorista. Lá havia um aviso: "valor da passagem: R$ 2,40". Esse foi o segundo dado para minha conclusão inusitada. Era a segunda e última parte do quebra-cabeça. O ponto de chegada. Mas, para montar aquela equação, eu ainda precisava encontrar o X. Me faltava efetuar.

O que é, de certa forma, mais uma conclusão valiosa.

Armei. Efetuei. Sabe quanto custa o conforto de subir uma rua de carro? A mesma rua que o ônibus sobe? Andar a mesmíssima distância, de forma mais confortável? E a velocidade? Sabe quanto custa fazer uma determinada coisa mais rápido?

Não sei. Pelo menos, numericamente, não. Mas sei que velocidade de deslocamento com conforto custa, exatamente, R$ 0,10.

E isso é muito triste.



Escrito por Henrique Wollny �s 23h16
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