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preconceituando o preconceito

O preconceito é algo que atinge cada um de nós indivíduos em algum momento da vida. Por mais que achemos que estamos longe dos impactos dessa livre forma de expressar a agressividade através da segregação, ou dessa vil maneira de tentar mostrar-se superior ao outro através de um simples comentário, mais cedo ou mais tarde acabamos sendo discriminados por alguém.

O preconceito está arraigado dentro de todos nós.

Quando nós, brasileiros, dizemos que "todo português é burro", estamos fazendo uma generalização infundada de forma a diminuir o outro, para, neste movimento, colocarmo-nos como superiores.

É na inferiorização do outro, que nos destacamos.

Portanto, no exemplo acima, ao passo que os portugueses são burros, nós, que enunciamos o preconceito e que não somos portugueses, somos, por um sofisma, inteligentes. É uma falácia!

Nos destacando, nos tornamos, ilusoriamente, superiores.

E o preconceito acontece em inúmeras esferas de nossa vida. Com o negro que não faz o serviço direito. Com o homossexual que precisa daquelas almofadinhas de hemorróidas. Com a loira que não consegue somar números com mais de dois dígitos. Com o designer de interiores que formou para ser decorador. Com o músico que não tem trabalho. Enfim. Com uma miríade de pessoas. Aliás. Com os rótulos mal generalizados que as pessoas adquirem ao longo de sua vida.

Mas é óbvio que somos todos iguais.
 
O negro trabalha com agilidade, presteza, eficácia e eficiência. O homossexual senta com classe, pose, graça e elegância. A loira resolve logaritmos com números complexos. O designer de interiores coloca um elefante cor de café no meio do chão da sua sala e transforma o ambiente no lugar mais confortável de todos. O músico paga o leitinho das crianças e a conta de luz com seus acordes. Somos todos iguais.

Afinal de contas, todo mundo caga.



Escrito por Henrique Wollny �s 18h28
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quando o videogame promove a literatura

Gosto muito de literatura. Pretendo, um dia, me tornar um desses doutores que falam sobre a obra literária com propriedade e afinco. Talvez, um dia, também, me torne um escritor. Romances e contos, porque crônica ainda é um gênero marginal, segundo a opinião de muitos.

Se ler é essencial...

Gosto muito de videogame também. Pretendo, um dia, ter uma salinha dessas que equipes de programadores chamam de "ambiente de trabalho", com um console de cada tipo instalado numa televisão gigantesca. Talvez, um dia, quem sabe, eu me torne um idealizador da Squaresoft. Jogos de RPG’s e Jogos de Luta, porque Pitfall, segundo muitos, é um jogo démodé.

Jogar é importante também.

Recentemente (e perdoem-me o diacronismo), o mercado dos videogames está investindo pesado em pequenas e maravilhosas adaptações do mundo literário para a telinha. Lembro-me a primeira vez que pilotei Krathos no God Of War. Delírio atrás de delírio, era o que me acometia a cada animação gráfica e a cada boss battle. Nem me atrevo a narrar as sensações que tive com a sequencia do jogo...

Jogar, lendo, é muito bom...

O último que tenho notícia é o Dante’s Inferno. Você encarna o poeta e vai ao inferno atrás de Beatrice, a namoradinha dele. Dizem as más línguas, que videogame é coisa do capeta. Neste jogo, você enfrentará Lúcifer em pessoa. Vi o trailler hoje. A singela mensagem, do final é "Go To Hell" (vá para o inferno).

Um jogo que te manda para o inferno tem que ser muito bom! 2010 é o lançamento e mal posso esperar para invadir os círculos que Dante havia descrito em sua epopéia cristã. Um viva à literatura adaptada aos jogos!

Ler, jogando, é melhor ainda!



Escrito por Henrique Wollny �s 20h50
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imperialismo às avessas

Esta semana, o ilustríssimo excelentíssimo senhor presidente da república visitou a capital argentina em busca do firmamento do que podemos chamar de imperialismo às avessas. Que o MERCOSUL é a rodovia mais rápida para o agigantamento do Brasil, é sabido por todos. Num mesmo almoço, Lula ligou uma espécie de semáforo para a Argentina.

Sinal verde.

As relações bilaterais entre os países costumam ser perturbadas por barreiras comerciais a produtos brasileiros e vice-versa. De improviso, Lula afirmou que ao Brasil "interessa que a Argentina cresça e se fortaleça, assim como deve interessar à Argentina o mesmo em relação ao Brasil". Ditando o compasso desse tango em ritmo de samba, o comércio entre os dois países tende a crescer (ou a exploração da Argentina, por parte do Brasil).

Sinal amarelo.

Na sequência, Lula destacou que é preciso levar em conta as diferenças entre os dois países. Antecipou que, na próxima reunião entre os dois países, dentro de noventa dias, provavelmente em Buenos Aires, um tema prioritário deverá ser o investimento do Brasil naquele país. Os empresários brasileiros, obviamente, celebraram tal fato (já a senhora Kirchner, sorriu amarelo).

Sinal vermelho.

Como praticamente todas as visitas de Lula ao exterior, nada foi assinado, efetiva e infelizmente. Normal. Lula é uma figura extremamente carismática. Naturalmente está mais interessado nas relações públicas. A oposição diria que, por não saber escrever, ele não assinou nada.

Eu digo que, assim como Nixon, ele está interpretando bem o papel de grande estadista. O Big Stick agora é verde e amarelo. E quando balanga faz barulho de pandeiro. Lula faz, com essas viagens, uma espécie de portfólio de países que queremos dominar. Chávez, Morales, Kirchner... Enfim, todos os hermanos acabarão por ceder a própria derrière e, aí, meu caro leitor, a cobra vai fumar.

Pelo menos enquanto durar a bateria desse semáforo...



Escrito por Henrique Wollny �s 20h05
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o advento do mundo moderno

Uma das poucas coisas de que tenho certeza é que o mundo contemporâneo é um caos. Aponte uma área do conhecimento: ela é caótica. Aponte uma tecnologia utilizada: ela gera o caos. Aponte qualquer coisa do mundo: lá está o espírito de Loki. Não há como escapar. Não há para onde ir. Até mesmo isolando-se do mundo, o caos não te deixa em paz.

Nos tornamos a exceção à regra.
 
E toda essa bagunça, acaba fazendo a gente ter uma percepção meio alterada da realidade. Hoje em dia, um cachorro já não é mais um cachorro. Ele é praticamente um irmão ou um filho. Em suma, um membro da família. E como um membro da família, ele é tratado como tal. Tem todos os benefícios e commodities que um dos nossos (seres humanos) pode ter. De salão de beleza à grupos de terapia, os cães participam da nossa realidade.

Comprovamos que a bagunça existe.

Particularmente, gosto desse caos. É tudo muito dinâmico, muito cinético, muito rápido, muito fugaz. Num momento está lá, noutro, não mais. Às vezes penso que deveria existir um grupo responsável por reelaborar todas as coisas antigas, dando o caos atual para as mesmas.

Assim, retornamos ao sistema mais bem armados.

Pense o conto de fadas do João e o Pé de Feijão. Ia ser super legal, hoje em dia, reescrevê-lo com toda a parafernália existente no mundo. Eis que um dia, um guri planta um pé de feijão. Ao invés de subir, folhinha por folhinha, intrepidamente, João simplesmente apertaria um botão e o elevador chegaria. Subiria. Uma vez lá em cima, um hall. No centro do hall, uma almofada gigante, como que um enorme travesseiro. Em cima do travesseiro, uma galinha. Ela assusta-se com a chegada do moleque, e sai ciscando pela tangente. Um ovo dourado repousa levemente lá.

Podemos criar, então, nonsense atrás de nonsense.

A casa do Pedrito teria um sistema de trancas automáticas e os três porquinhos não precisariam segurar as portas. Palito e Palhaço agradeceriam. Chapeuzinho Vermelho poderia ter um spray de pimenta. Carruagem virando abóbora? Que tal usar um táxi, Cinderela? Pinóquio não correria mais o risco de pegar fogo, uma vez que seria feito de aço inoxidável. João e Maria poderiam ter um celular com GPS. Ia deixar uma bruxa faminta, mas bruxas são bruxas, pero de que las hay, las hay! Enfim.

Pense como a vida desse povo ia ficar bem mais prática e utilitária, com nossas invenções...



Escrito por Henrique Wollny �s 22h18
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2012

Pessoalmente, adoro quando o mundo vai acabar. Recentemente, circulam rumores de que os Maias, o LHC e um planeta muito grande vão acabar acabando com a Terra, simultaneamente. A coisa é tão certa de que vai acontecer, que Hollywood até já filmou, com direito aos melhores efeitos especiais vistos desde Titanic.

O que você faria se só te restasse esse dia?

Se o mundo for acabar mesmo, já pensou? Você aí, sentado na solidão da sua cadeirinha que usa para acessar a Internet. Quantas coisas você já fez que fizeram sua vida valer a pena? Com o fim do mundo se aproximando, cada um começa a se questionar o quão, de fato, a própria vida é medíocre.

Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria.

De que serve o trabalho? De que me serve todo esse juízo, quando o Juízo Final chegar? E aí? Vai ser um grande cabum e acabou? Ou será que o ser humano vai passar por todas aquelas provações que as religiões de todos os lugares e de todas as épocas afirmaram que, invariavelmente, acontecerão?

Se o mundo for acabar mesmo, vai ser tenso. Vai ter nego andando pelado na chuva, correndo no meio da rua, entrando de roupa no mar, trepando sem camisinha, abrindo a porta dos manicômios, trancando o delegado no xadrez, dinamitando carros e ônibus, avacalhando tudo e rindo.

Ia ter gente procurando o perdão na família. Ia ter gente correndo para perder aqueles dois quilinhos, para estar enxuta para o grande espetáculo. Ia ter gente inventando um novo jeito de viajar para o espaço, para, quem sabe, colonizar o Planeta Vermelho. A Microsoft ia falir. Estados iriam cair. Monumentos iriam ruir. Muita gente ia rir.

O que você faria, se te restasse só um dia?



Escrito por Henrique Wollny �s 22h52
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pequenos grandes atos

Hoje estava voltando para casa. Era um daqueles dias que não há trabalho. Um daqueles dias que não há obrigações. Um desses dias livres que ganhamos, às vezes, na vida. Enfim. Voltando para casa, pelo lotação, deparei-me com uma situação corriqueira. Enquanto uma senhora entrava no táxi, o senhor que fica anunciando o serviço e abrindo a porta disse: "arredaí". Dizem que o verbo arredar só existe aqui em Minas Gerais. E como mineiro tem mania de aglutinar todas as palavras na fala, um sonoro "arredai" foi tudo que o senhor proferiu.

E aí, começou a cadeia.

A senhora estressou-se com a forma como ele disse o "arredai". E, sim, não tiro a razão dela. O mínimo que todos podem fazer para vivermos uma vida tranqüila é ser educados uns com os outros. Ao invés do mineiríssimo "arredai", ele poderia ter dito um "com licença" ou um "a senhora poderia chegar mais pra lá?", e tudo estaria na mais perfeita paz e harmonia divina.

Ela interpretou da forma mais direta possível.

Ela não parou e pensou: "poxa vida! talvez este camarada tenha sido um pouco grosso comigo porque ele trabalha muito e ganha pouco, está na região mais barulhenta de Copacabana, sua mulher ou namorada, ou qualquer coisa do gênero, pode ter dormido de calça jeans ontem à noite e a soma desses fatores causou nele um nível tal de estresse que ele cometeu o deslize da ingentileza!". Ninguém para e pensa isso.

E o estresse do camarada foi refratado.

E ela foi do Centro até o alto da Afonso Pena (quatro quilômetros) reclamando e regurgitando maldições a todas as gerações do camarada. É uma pena, pois em determinado momento, ela refratará esse estresse, que ela adquiriu de graça na rua, a outras pessoas que não tem nada a ver com o barulho do centro da cidade.

Bastava um pensamento para que o perdão refletisse aquilo.

Para bem longe.



Escrito por Henrique Wollny �s 14h30
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ruim com eles, pior sem eles

Ontem, logo após o almoço, fui tomar uma cervejinha bem gelada para refrescar as idéias. O calor misteriosamente está nas alturas nesta primavera e Chico Science tinha razão: uma antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor. Nas dadas circunstâncias, uma depois do almoço é muito bom também, digo eu.

Almocei com a senhora minha mãe. Como ela não curte bebericar drinques alcoólicos, ela resolveu ir do restaurante para casa. Daí uns vinte minutos, ela retorna reclamando que foi assaltada. Um sujeito numa moto esperava o comparsa roubá-la. Quando o assaltante corria, seu parceiro dava a volta no quarteirão para pegá-lo na garupa. Engenhoso demais.

Entretanto, minha mãe perdeu talão de cheques, moedinhas, recibos e os documentos. Resolveu, após acalmar-se, chamar a polícia para fazer um boletim de ocorrência. Vinte minutos depois (tempo suficiente para os assaltantes chegarem do outro lado de Copacabana), uma viatura policial chega até a rua de nossa casa.

Super educado, o policial cumprimenta, bate um papo, dá algumas instruções, explica como o boletim de ocorrência funciona e, lá pelas tantas, ele diz, sem saber o que está falando:

"chegou a notícia pra gente na viatura agora. então, nós subimos o morro e vamos descendo. daí, o traficante pode acabar entregando o ladrão pra gente, porque ele não quer que os criminosos chamem atenção para o negócio deles. esse costuma ser o cenário mais rápido pra gente botar as mãos no safado e..."

Eu saí de perto. Precisei rir. Traficantes, então, não são criminosos?

Bela polícia temos!



Escrito por Henrique Wollny �s 15h30
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o filho da puta ali no canto

Dia vai, dia vem, e a todo momento meus olhos percorrem a realidade e trombam com mil elementos que meu cérebro descarta ou absorve. Lemos o tempo inteiro. É inevitável. Fazemos julgamentos também. Dos elementos que meu cérebro absorve, alguns ele condena, outros ele absolve.

Faz parte da vida.

As coisas que mais gosto de colidir meus olhos são frases otimistas. Ler um pensamento positivo é sempre bom, pois eles, assim como a arte, nos movem.  Adoro citações do dia, sortes de hoje, frases de biscoitos, conselhos de horóscopo, reflexões diárias e tudo mais que caia na categoria de pequenos fragmentos de texto dessa laia.

Pensar positivo é uma dádiva.

Mas, depois de Nietszche, não dá pra ser tudo arco-íris nessa vida, né? Logo, relativizo sempre essas frases positivas que leio por aí. Você ganhará roupas novas? Claro. Se eu me der, sim. O amor está na esquina? Puta merda. Será que aquele mendigo voltou? A natureza é a mãe de todas as artes? Ah! Se ela fosse tão valiosa quanto a Monalisa, não estaria sendo estuprada e destruída paulatinamente pelos próprios filhos. Relativizar sempre destrói a beleza das coisas.

Pensar negativo é uma maldição.

Ou embeleza toda coisa feia. Chuva? Temos que viver a chuva para gozar o arco-íris. Calor? Ele evapora a água e em breve temos uma chuva que refresca. Frio? Coberta, filme, pipoca, chocolate quente... Dá sempre para contrargumentar qualquer coisa que seja lida por nossos olhos.

Faz, também, parte da vida.

Então, vamos lendo, porque a vida está aí, bombardeando-nos com essas letrinhas. Tenham uma boa noite e...

Ah, sim. O que tem a ver o título, você, leitor que lê, pergunta. Pois então. Nada me tira da cabeça a frase que me inspirou a escrever este texto: "se todos dermos as mãos, quem sacará as armas?". Não é óbvio? O título diz tudo. Até a próxima!



Escrito por Henrique Wollny �s 19h58
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quem planta, colhe

O mês de setembro corre à toda e a vida cotidiana está cada vez mais repleta de coisas para se fazer. Trabalha para receber, recebe visita, visita família, familiariza-se com ambiente de trabalho e o ciclo segue seguindo. Mal dá tempo para almoçar ou para dormir (o que considero perda de tempo, de qualquer jeito). Seja comendo sonhos, ou sonhando com comida, a vida está corrida. Numa dessas indas e vindas, sonhei que ganhava flores.

Ah! Maldito eufemismo!

Tá, vai. Não eram flores. Era um cacto. Uma linda moça ruiva sem face me dava um cacto. "é para representar nosso amor", dizia ela. Você tinha que ver a expressão no meu rosto. Perplexidade é uma palavra que sintetiza-a muito bem. "um cacto..." pensei eu. "para... representar nosso amor?" perguntei-me eu. E ela ia emendando o raciocínio: "não precisa cuidar com muito zelo, e ele dura a vida toda". Brilhante!

Uma metáfora para o amor.

Cactos servem para ser prédios. Monumentos. Empresas. Corporações. Estados. Governos. Feios, mas funcionais. Uma vez instalados, duram para gerações. Como pode o amor ser representado por um chumaço de seiva clorofilada repleto de espinhos? "mas ele dá uma flor linda!" pode dizer um leitor com vocação para botânico low-budget. Rosas são mais clichê, entretanto cumprem bem a função de amor.

Uma metonímia para o amor.

Se bem que rosas duram pouco tempo. Estão mais para aquela paixão avassaladora. Enquanto houver tesão ou pétalas, há beleza. Depois, a natureza entra em ação e tudo cai e apodrece e vira adubo para novas rosas. Ou paixões. Então, rosas para lá, fiquemos com as árvores. De preferência as que dão frutos.

Conotativamente denotativas.

Um bom solo. Uma grande raíz. Sólido tronco. Inúmeros galhos. Centenas de folhas. E, em alguns momentos da vida, frutos. Vários deles. Nem todos aproveitados, porque a gravidade quer alguns deles. Mas a maioria, se colhidos, pode se tornar uma sequencia de fatias de frutas no café da manhã. Na sobremesa do almoço e na ceia.

Significa muita coisa.

Não sei quem é a bela moça ruiva sem face que me entregou aquele cacto. Mas, poxa vida. Um cacto? Custava ser uma árvore? Não! Tinha que ser um cacto. Portanto, com todo respeito, ou a senhorita troca esse cacto por uma muda de jaboticabeira, de macieira, de pitangueira (aceito até um pé de jaca!)... Ou então vossa formosura pode enfiar o cacto no cu. E passar bem.



Escrito por Henrique Wollny �s 15h07
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o verdadeiro valor das coisas

Eu amo observar o mundo através dessas duas janelinhas que em algum momento da evolução dos bichos eu adquiri, ou que Deus me deu (o que quer que tenha acontecido primeiro), que geral chama, vulgarmente, de olhos.

Observar é bem legal.

E tem coisas que a gente vê, que num primeiro momento não significam nada. E aí, a gente vai somando esse monte de coisa e vai criando uma espécia de banco de dados dentro da nossa cabeça.

O que me dá, de certa forma, um monte de informação valiosa.

Outro dia, eu retirei, de uma situação que me fez cruzar dados do meu banco de dados, uma conclusão inusitada. Inusitada no sentido de enxergar o mundo como ele é. Como ele realmente é. Sem censura.

O que é, de certa forma, uma conclusão valiosa.

Estava eu dentro de um ônibus. Sentei-me perto do agente de bordo. Olhei para a janela que estava atrás dele. Lá havia um aviso: "valor da passagem: R$ 2,30". Esse foi o primeiro dado para minha conclusão inusitada. Era a primeira parte do quebra-cabeça. O ponto de partida. Mas, para montar aquela equação, ainda havia incógnitas. Me faltava armar.

O que me faz, de certa forma, procurar mais informações valiosas.


Noutro dia, entrei num táxi lotação. Táxi lotação, para quem não tem nem idéia do que possa ser, é um serviço aqui em Copacabana que o táxi sobe e desce determinadas avenidas da cidade, e ficam sempre nesse vai-e-vem. Mais conforto e velocidade. Nesse dia, a que me refiro, olhei para a janela do banco de trás, aquela que fica do lado do motorista. Lá havia um aviso: "valor da passagem: R$ 2,40". Esse foi o segundo dado para minha conclusão inusitada. Era a segunda e última parte do quebra-cabeça. O ponto de chegada. Mas, para montar aquela equação, eu ainda precisava encontrar o X. Me faltava efetuar.

O que é, de certa forma, mais uma conclusão valiosa.

Armei. Efetuei. Sabe quanto custa o conforto de subir uma rua de carro? A mesma rua que o ônibus sobe? Andar a mesmíssima distância, de forma mais confortável? E a velocidade? Sabe quanto custa fazer uma determinada coisa mais rápido?

Não sei. Pelo menos, numericamente, não. Mas sei que velocidade de deslocamento com conforto custa, exatamente, R$ 0,10.

E isso é muito triste.



Escrito por Henrique Wollny �s 23h16
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